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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O que fizeram com você Igarapava?


Segue no post abaixo um poema fruto do idealismo utópico de um jovem apaixonado por sua terra, com estrofes assimétricas, forjadas em um estilo contemporâneo, brotaram a mente em meus 16 anos de idade, meses antes da jornada além dos limites da terra outrora chamada de arraial de Santa Rita do Paraíso.

Onze anos depois, mais maduro e experiente, homem feito, porém ainda um bocado idealista, vejo ainda aquelas palavras mexerem comigo.

O que fizeram com você minha Igarapava querida?

Dezessete anos, uma mala e uma passagem de ida rumo ao desconhecido para buscar o que aqui não pude receber. Porem, carregando na bagagem, a vontade de voltar. O sonho não havia morrido de por ti e em ti viver terra minha. Quatro anos, muita luta e muita saudade, junto ao diploma, uma explosão de pensamentos.

“– Enfim voltar pra casa, dar a minha terra, a minha gente todo conhecimento que a vida lá fora havia me ensinado.” Ser mais útil do que poderia ter imaginado no passado.

Outra desilusão! Com os braços fechados minha terra me esperava (ou melhor, não esperava), estando suas vontades representadas por uma seqüência de administradores ou de “sanguessugas” (como preferirem) continuavam a retirar-lhe o brilho dos olhos, numa alternância de poderes, todas em vão.

Aqui não pude crescer e meus filhos não poderão viver. Adoecer? Tão pouco poderei. Uma ultima estrofe poderia ser concretizada, ainda que não estampada no poema, mas escrito em sentimentos. O desejo de em minha terra morrer, de em minha cidade meu corpo sepultar.

Estava errado! O sepultamento de minha avó (tradução de dignidade e resignação) me fez compreender, que nem na morte haveria de seus cidadãos aqui o respeito obter. Tendo nós, que sofrer a humilhação do descaso de nossos governantes, despedindo de nossos mortos, iluminados pelo carro fúnebre e uma pequena lanterna (Minha por sinal).

Nutro ainda um nobre sentimento por nossa anciã abandonada, mas certo de que aquelas palavras, não haverão de acontecer.

Morrer! Isso pode acontecer. Certo que sim, um dia.

Quanto a ser enterrado, dependerá das condições. Se tiver a sorte de ser for à luz do dia e ainda sim mediante o pagamento de uma “PEQUENA” taxa, que indica a ser da manutenção não de nosso cemitério, mas dos bolsos corruptos e inescrupulosos que tão indignamente nos representam e nos conduzem para o nada. Absolutamente para o nada.

O que fizeram com você Igarapava minha?


Sábia as palavras de Luiz Gonzaga, quando cantado em seu “Ultimo Pau de Arara”, nos diz que quem sai da terra natal, em outros cantos não para.

Passado uma década, muitos pousos e paradas, sigo ainda ufano, idealista, ainda que de quimera em quimera, avançando o futuro incerto, sempre a procura de outro “porto das canoas” para repousar, certo de que igual não haverá.

3 comentários:

  1. 30 anos dede meu primeiro suspiro nesta cidade e as coisas continuam iguais. Mudam uns prédios aqui, asfaltam algumas ruas, mas a essência nunca muda. Está é nossa cidade!

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  2. Se todos os igarapavenses fossem idealista e ufanista, com certeza muitas coisas seriam mudadas para melhor. Parafrazendo o Chico Xavier, "tudo passa".

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